terça-feira, 31 de agosto de 2010

Estou a dormir?

Pés descalços
Estou no teu inferno
Está bastante frio e ninguém me salva
Estou a dormir?
O céu está repleto de brilhantes
E o enorme lago lá fora está rodeado de grandes árvores bem escuras
A paciência é desgastante
E o fim do mundo está ali algures.
O mundo já não é nada.
Já não há nada, aqui.
Todos os medos, todas as esperanças, todos os sonhos acabaram.
Sou humana?
Já não tenho nada.
A alma desapareceu.
A alma voou.
E o corpo permanece em cima do chão frio.
Já não vejo nada.
Já não sinto nada.
Está bastante frio e ninguém me salva.
Estou no teu inferno e já ninguém me salva.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ando descalça, nestas pedras saltitantes.
Calco o inferno e respiro o pó.
Vejo o meu reflexo, no horizonte, e acho-me escura (ou talvez clara demais..)
Não consigo descobrir a minha sombra.
Será que estou cega?
Talvez..
Talvez esteja na ilusão..
Mas está-me a saber bem.
Posso ficar mais um bocadinho aqui?!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

quatro paredes
uma cama
um diário-gráfico
uma guitarra
um cd
uma solidão

domingo, 1 de agosto de 2010

Hoje vi os fragmentos a cairem ao chão.
Tudo se desmoralizou.
Não senti o amor dos outros dias
Fui diferente, ao invés de um quadrado sem linhas.
A água hoje congelou, e calei-me.
É fria..
Estou morta.
A minha alma está morta.
Hoje o sol acordou
e chamou outra vez o silêncio dele
Eu acordei, cheirei-lhe e senti a sua paiva a decorrer na minha cabeça.
E, pela primeira vez, estava estranho. Bastante estranho.
Apeteceu-me sugar-lhe o sangue e comer o seu cérebro.
Ele estava estranho.
Ele irritou-me.
Pareceu noite fria, já.
Já não conseguia ver nada, apenas a minha frustração.
Estou revoltada.
Dizem que ele é cão mau, mas eu não quero acreditar.
Quero-o aqui, ao meu lado.
Gosto dele, mas não sei..
Foi hoje.